Ao longo da pandemia de Covid-19, com a restrição de acesso a participação presencial no Congresso Nacional e junto a órgãos do governo, grupos sociais se mobilizaram de outras formas para pressionar as instituições. Em pesquisa feita e publicada aqui neste repositório examinamos o uso das mídias digitais como mecanismo de pressão frente ao poder legislativo federal, por meio de petições online para a aprovação de leis, como no caso do auxílio emergencial, e para incentivar o legislativo a atuar, como nos pedidos de adiamento do ENEM.

Ainda que tanto Câmara dos Deputados como Senado Federal tenham na internet espaços de manifestação popular – como as páginas E-Cidadania e Participação Legislativa da Câmara dos Deputados, além de ouvidorias e listagem de e-mail dos parlamentares – a restrição de circulação e com votações apenas de modo remoto resultou na diminuição de espaço para o debate público. Isso se revela no fato de que mais de 4 milhões de manifestações foram feitas em petições online direcionadas ao parlamento. Aqui trazemos algumas, divulgadas em sites de petições como Avaaz, Change.org e Petição Pública para você conhecer. Para saber mais, conheça o relatório da nossa pesquisa.

Nesse abaixo-assinado online, o cidadão Eduardo Ferreira Silva mobilizou essa ação pelo auxílio-cuidador em decorrência da necessidade observada de cuidar da mãe de 88 anos e com diversos problemas de saúde.

Tanto pela idade quanto pela deficiência e condição delicada de saúde de idosos e/ou pessoas com deficiência – recebendo uma aposentadoria baixa, com idade avançada e diversas complicações de saúde – veio a necessidade ampliada na pandemia de aprovação do Projeto de Lei 3022/20 que cria o auxílio-cuidador. Este teria o valor de um salário mínimo para a pessoa idosa e/ou com deficiência que necessite de terceiros para realização das atividades, assegurando recursos financeiros para contratação destes profissionais e buscando mitigar os efeito da crise do cuidado vivenciada com o aumento da idade média da população e o avanço de políticas econômicas neoliberais.

A petição mobilizou mais de 160 mil apoiadores e o projeto de lei que ainda não foi votado na Câmara conta com mais de 900 apoiadores, ou seja apenas 0,61% em relação aos apoiadores da petição.

Acesse aqui a petição.

Com a chegada de 2021 e o início da vacinação foi retomado o debate para o fim do auxílio emergencial. No entanto, a pandemia ganhou contornos ainda mais críticos e a fome avançou no país. Diante da grave crise que se apresentava, 270 organizações não-governamentais criaram essa petição online para pressionar o Congresso Nacional a prorrogar ou aprovar nova lei para garantir o auxílio-emergencial de R$ 600,00 até o fim da pandemia.

Em 2020, o auxílio conseguiu garantir não só a comida no prato de milhões de brasileiros, mas também milhões de vidas, permitindo que as pessoas ficassem seguras em casa. 

Segundo o grupo, a pressão foi fundamental para garantir o auxílio em 2020 e agora é hora de nos unirmos novamente para garantir condições das famílias brasileiras mais vulneráveis enfrentarem o coronavírus em 2021!

A petição contou com mais de 86 mil assinaturas e pode ser considerada parcialmente vitoriosa pois o auxílio foi aprovado apesar do valor ter sido reduzido. Tramitaram no Congresso três matérias sobre o tema, MP 1037/2021; PL 2419/2020; PL 3426/2020 e 49 ideias legislativas de cidadãos que somam juntas no Congresso 82.528 apoiamentos. Os apoios no canal oficial representam 94,95% dos registrados na petição online.

As the pandemic progressed in Brazil, reaching almost 3,000 deaths per day, the risks involving pregnant and postpartum women became more noticeable. Evidence shows that this group has an increased risk of developing complications, needing ICU and mechanical ventilation, as well as dying compared to non-pregnant people. In 2020, Brazil was identified as the country with the highest number of maternal deaths from Covid-19. 

Based on these points, citizen Melania Amorim from Campina Grande in Paraíba created this petition requesting the modification of Technical Note 1/2021 from DAPES/SAS/MS, to include pregnant women and postpartum women in the priority groups for vaccines, not just those with comorbidities.

The petition requested intervention, including the possibility of the note being amended by bills currently being processed in Congress, such as bills PL 4174/2020, PL 936/2021, and PL 1405/2021. However, the Ministry of Health itself revised the regulation and included the group among those prioritized for vaccination. The petition was successful, having been signed by more than 57,000 people.

Access the petition here .

Este abaixo-assinado teve como objetivo sensibilizar e reivindicar os direitos atribuídos pela Constituição Federal de 1988 disposto no Art. 196, Seção 2, que respalda a saúde como direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

A petição surgiu após o governo publicar o decreto nº 10.530 de 26 de outubro de 2020, que permitia estudos de alternativas de parcerias com a iniciativa privada para a atenção primária à saúde, o que foi visto pela sociedade e profissionais do setor como a abertura para a privatização do Sistema Único de Saúde – SUS.

A petição contou com mais de 95 mil assinaturas e o decreto foi revogado após grande pressão da sociedade e de parlamentares. A hashtag usada na campanha #DefendaoSUS ficou entre as mais comentadas em diversas redes sociais do país por alguns dias.

Acesse aqui a petição.

Em 2020, nos debates do orçamento 2021, surgiu a questão da ausência de recursos do orçamento para ampliar o SUS – Sistema Único de Saúde. Nesse contexto, o Conselho Nacional de Saúde propôs essa petição, já que, com ofim do orçamento emergencial, voltaria a vigorar a Emenda Constitucional 95/2016, que congelou investimentos em saúde e demais áreas sociais até 2036.

Segundo os dados apresentados pelo Conselho Nacional de Saúde na petição, a perda de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) supera o valor que o Ministério da Saúde teve em 2020, ultrapassando R$35 bilhões calculados em agosto de 2020, quando a petição pública foi lançada. A redução do orçamento é contra a Constituição de 1988, as resoluções e recomendações do CNS, o processo de planejamento ascendente do SUS (Lei Complementar 141/2012) e a Lei 8.142/90, que define a participação da comunidade na gestão do SUS. É o enfraquecimento do pacto de bem-estar e proteção social da Constituição.

Sem Saúde não há economia. A petição conta com mais de 597 mil assinaturas. Existe em andamento a PEC 439 de 2018 que pretende revogar a emenda constitucional em questão e quatro ideias legislativas de cidadãos que somam juntas no Congresso 77.908 apoios. Ou seja, os apoios no canal oficial representam 13,04% dos registrados na petição online.

Conheça a petição.