Em um primeiro momento, a pandemia levou à diminuição dos protestos de rua, mesmo em países que viviam ciclos importantes de conflito. Isso não significou, no entanto, o fim da mobilização. Outras formas de protesto emergiram ou foram intensificadas (como os panelaços e as formas de ativismo digital). A partir de maio de 2020, houve uma retomada dos protestos de rua em várias regiões do mundo. As fotos abaixo mostram como os participantes dos protestos vincularam a pandemia a questões como racismo e desigualdade.

Nesta página, em constante construção, apresentamos alguns dos mais de 300 protestos virtuais e presenciais que o Repositório vem catalogando.

No dia 18 de fevereiro de 2021, a Coalização Negra Por Direitos realizou atos em 28 cidades do país, sendo 18 capitais. A Coalização Negra Por Direitos é formada por mais de 200 entidades, as quais, no dia das mobilizações, protocolaram ofícios exigindo aos governos federal, estaduais e municipais medidas de combate à miséria, da segurança alimentar da população negra e periférica, além da garantia da vacinação em massa e do fortalecimento do Sistema Universal de Saúde (SUS).

O Manifesto chama a atenção para a política errada do governo no combate ao coronavírus, para o genocídio de jovens negros, aumento das desigualdades e empobrecimento da população. “Lutamos pelo fim da escravidão e do fascismo, contra a ditadura militar e pela democracia. Exigimos resposta sobre Quem Mandou Matar Marielle e vamos derrubar Bolsonaro e Mourão!”, destaca o documento. Acesse o manifesto na íntegra.

Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) lançou o COVID-10 Disorder Tracker, para sistematizar dados sobre protestos e conflitos relacionados à pandemia em várias regiões do mundo. Inclui desde episódios de violência contra trabalhadores da saúde até protestos contra medidas de isolamento.

Os trabalhadores de serviço de entrega dos aplicativas fizeram uma paralisação nacional no dia 1º de Julho de 2020 no Brasil. O material de chamada para participação da paralisação, tanto dos entregadores quanto dos usuários dos aplicativos de entrega, está sendo publicado nas contas do Twitter e Facebook do “Treta No Trampo“.

Movimiento por Nuestros Desaparecidos en México, formado por mais de 60 coletivos mexicanos e de três países da América Central, demanda que o governo mexicano não pare as buscas dos 61 mil desaparecidos e que sejam acelerados os esforços para a identificação de mais de 37 mil corpos. No Dia das Mães (10 de maio), manifestantes tomaram as ruas mas também usaram formas de protesto digital, inclusive uma marcha digital. A tradicional Marcha de la Dignidad Nacional: Madres Buscando a sus Familiares Desaparecidos, la Verdad y la Justicia, foi feita pela primeira vez em forma digital. Participantes postaram fotos online com máscaras, nas quais estava escrito: “onde estão?”

Além disso, comunicaram-se usando hashtags como #YoApoyoParaEncontrarles, #HastaEncontrarles, #NosHacenFalta e #10DeMayoNadaQuéCelebrar. Para mais informações, ver também esta análise de Thomas Aureliani.

Em 14 de janeiro de 2021, explodiram nas mídias sociais vários vídeos de profissionais da saúde, especialmente, em Manaus-AM, desesperados, denunciando a falta de bombas de oxigênio nos hospitais. Vários pacientes morreram por não ter acesso ao equipamento, não apenas aqueles contaminados com Covid-19, mas também outras enfermidades, como exemplo, há grande preocupação com os bebês prematuros que dependem do recebimento de oxigênio. Em razão disso, surgiram vários chamados de protestos partindo de diferentes grupos sociais.

Movimentos populares marcaram um “grande ato” para pedir o “impeachment já” do presidente da República, Jair Bolsonaro, no momento em que o país registrava a marca de 211 mil mortes pela Covid-19. O evento ocorreu no dia 24 de janeiro de 2021 na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Acesse aqui.

Os trabalhadores de serviço de entrega dos aplicativas fizeram uma paralisação nacional no dia 1º de Julho de 2020 no Brasil. O material de chamada para participação da paralisação, tanto dos entregadores como dos usuários dos aplicativos de entrega, foi publicado nas contas do Twitter e Facebook do “Treta No Trampo“.

Dezenas de representantes de entidades de movimentos populares e sociais se uniram para lançar a campanha “Despejo Zero”, em um evento virtual realizado em 23 julho de 2020. Eles denunciaram reintegrações de posse e despejos que continuam acontecendo em todo o país, em plena crise sanitária e acelerada transmissão do novo coronavírus (Covid-19), que tirou a vida de mais de 84 mil brasileiros e brasileiras. Leia aqui. Live sobre a Campanha aqui.

No dia 1º de maio de 2021, um grupo de enfermeiras e enfermeiros realizaram um ato em homenagem aos mais de 400 mil mortes pela pandemia de Covid-19 no Brasil e em defesa de direitos trabalhistas da categoria. O ato ocorreu um ano depois de um protesto realizado pelo setor também em frente ao Planalto em que manifestantes foram hostilizados por militantes pró-Jair Bolsonaro. A imagem de uma enfermeira sendo agredida foi amplamente disseminada nas redes sociais como representação da polarização política em torno da pandemia. Confira a reportagem aqui. Atos como estes foram ofuscados pela onda de manifestações pró-governo que ocorreram no mesmo dia.

Em ato realizado no dia 25 de março de 2021, organizado pelo Conselho Nacional de Saúde, o Sindicato de Enfermeiros do Distrito Federal, o Sindicato dos Odontólogos, o Conselho de Saúde do DF, e a OAB do DF, foi realizado um cortejo fúnebre simbólico em homenagem aos 300.000 pessoas que perderam as vidas pela Covid-19. Vestindo camisetas pretas, manifestantes marcharam em direção ao centro da praça, carregando um caixão com um mapa do Brasil, em simbologia às mortes ocorridas em todo o país. Em seguida, cada um dos participantes depositou uma rosa em cima da urna funerária. Veja reportagem aqui.

Articulação criada em fevereiro de 2021 por lideranças religiosas de uma diversidade de fés, ligadas ao CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular). O ponto de partida do movimento foi o lançamento do Manifesto Respira Brasil que defende vacina para todas e todos, o SUS, a ampliação do Auxílio Emergencial e o impeachment de Bolsonaro. Um eixo central da rede é a luta pelo direito ao luto e aos rituais fúnebres, e pelo reconhecimento público do sofrimento das mortes causadas pela Covid-19. Veja a página no Facebook do grupo aqui.

Onze centrais sindicais em parceria com diversos movimentos sociais organizaram no dia 7 de agosto de 2020 atos simbólicos em São Paulo, Recife, Salvador, Porto Alegre, e várias outras cidades em homenagem aos 100 mil mortos pela Covid-19 e em defesa da vida, do emprego e chamando a população a contribuir em ações solidárias. Confira reportagem aqui aqui.

No dia 11 de junho de 2020, membros da ONG Rio da Paz cavaram 100 covas simbólicas na praia de Copacabana, como protesto à forma com que o Governo brasileiro tem lidado com a pandemia no país. O objetivo foi lembrar as mais de 40 mil pessoas que morreram devido à Covid-19, no Brasil. A ação ganhou repercussão nacional quando observadores pró-governo começaram a desenterrar as cruzes e um homem que passava na frente da instalação foi filmado as inserindo novamente enquanto expressava sua indignação pela falta de empatia com os que haviam perdido familiares. Veja o vídeo aqui.

Em 23 de março, um conjunto de movimentos populares nacionais que lutam pelo direito à cidade divulgou o documento – Em Defesa do Povo, da Democracia, do Estado de Direito e na luta contra a COVID-19. Nele, apresenta-se um conjunto de reivindicações para enfrentar a pandemia, na perspectiva da garantia dos direitos e preservação da vida.

No dia 21 de março, lideranças comunitárias de Paraisópolis fizeram um chamado para recrutar voluntários, que se tornaram “presidentes de rua” ou “brigadistas” (reunidos na foto acima). A convocação está publicada na página do Facebook da comunidade. Desde então, a comunidade criou casas de acolhimento, comprou ambulâncias e promoveu protestos denunciando a falta de apoio do governo do Estado. Veja aqui a Carta Aberta encaminhada às autoridades estaduais.